Palestra aborda impacto das novas tecnologias no mundo do trabalho

Em 12/09/2019
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Catorze por cento da força de trabalho do Brasil será deslocada, para não dizer desempregada, em 2030, sob o impacto da digitalização dos modelos de negócios. A estimativa foi apresentada nessa quinta, na Assembleia Legislativa, pelo presidente do Conselho do Porto Digital, Sílvio Meira. Convidado pela Frente Parlamentar da Quarta Revolução Industrial, o cientista e professor analisou as inovações tecnológicas que vão transformar a vida das pessoas e o mundo do trabalho nas próximas décadas.

Para o cientista, o grande desafio do Brasil é sofisticar a formação de seu capital humano para enfrentar a competição global. “Você tem que continuar estudando. As empresas têm que ser escolas. A gente devia ter uma política que quase obrigue todo mundo a ser uma escola.  Só que a gente não precisa, e sabe por quê? Porque as pessoas não querem trabalhar em empresas que não são escolas. A Accenture, aqui no Porto Digital, dá mais de cinco horas de treinamento por semana, pra todo mundo. Por quê? Porque senão ela não pode depender daquelas pessoas”.

Sílvio Meira registrou que existem mais de mil cargos vagos no Porto Digital por falta de profissionais habilitados: “É um contrassenso absurdo a gente ter 17% de desemprego e ao mesmo tempo ter mil e tantas vagas abertas no Porto Digital, com a perspectiva de, essas mil e tantas vagas abertas são o seguinte: se aparecerem 500 pessoas, continuam mil vagas abertas, porque essas 500 pessoas vão demandar e vão possibilitar a chegada de outros tantos projetos.”

Um novo encontro entre o presidente do Conselho do Porto Digital deve ocorrer na Assembleia, com a participação de gestores públicos estaduais e municipais. A sugestão partiu do coordenador da Frente Parlamentar, João Paulo, do PCdoB, que salientou a responsabilidade do grupo em articular estratégias em defesa dos trabalhadores: “Além da preocupação de preparar jovens e trabalhadores para assumir esses novos postos de trabalho, a preocupação também é que alternativas vamos dar para milhões de trabalhadores que não vão ter condição de ter esse preparo”.

A palestra dessa quinta ainda trouxe dados globais levantados por Sílvio Meira relacionando as profissões com maior probabilidade de “desaparecer” nas próximas duas décadas, a exemplo de operadores de call center, pintores de fábricas de automóveis e operadores de câmeras de TV e cinema. Segundo o cientista, as áreas de atuação que envolvem o afeto e a manipulação humana vão sofrer impacto menor, a exemplo da enfermagem e medicina.

Presidente em exercício da Alepe, a deputada Simone Santana, do PSB, médica pediatra por formação, afirmou que as estatísticas apresentadas pelo cientista são impactantes, mas também mostram uma janela ampla de oportunidades, como a alta empregabilidade para quem domina as linguagens de programação.

Já o líder do Governo na Alepe, Isaltino Nascimento, do PSB, ressaltou o esforço que o Estado vem fazendo para melhorar o sistema de ensino, ampliando o número de escolas técnicas, e destacou iniciativas como o Programa Ganhe o Mundo, que já enviou mais de três mil estudantes para intercâmbio no exterior.